Horário Eleitoral

Sobre o artigo de hoje no Estadão, um post curto.

De fato, a intenção da mudança nas regras de distribuição de tempo na TV deve ter sido prejudicar a Rede da Marina. Acho chato, mas por outro lado é um incentivo às pessoas para que entrem nos partidos já existentes e busquem transformá-los, ao invés de a cada vez tentar inventar a roda.

Mas quanto ao horário em si, qual seu papel? Será que há pesquisas sobre isso? Ele é todo feito pelas mesmas pessoas, que se revezam de campanha em campanha. Aquela linguagem pasteurizada, o velho fica novo, o novo experiente, o radical moderado e o moderado ousado. Não vejo como enriquecedor do debate público, ao menos para uma classe cada vez maior de pessoas que tem acesso a outros meios de comunicação.

Na campanha para prefeito de S. Paulo, por exemplo, o charme do programa era umas imagens da São Paulo renovada por construções ao longo dos rios. Deu uma pinta moderna, votou-se no sujeito, o projeto foi (talvez merecidamente) abandonado. Ou seja, não é por aí que se conhece alguém. É marketing, não no sentido necessário da coisa, da explanação, mas no sentido da maquiagem mesmo.

Claro que há um Brasil que desconheço, onde a TV pode ter papel importante ainda. Então penso que as retransmissoras deveriam talvez ser obrigadas a passar o horário uma vez por semana apenas, num rodízio. Se elas concordassem com isso, pois as grandes emissoras podem ficar com medo de perder audiência no dia da transmissão obrigatória. E em alguns lugares talvez não haja número suficiente de transmissoras. Enfim.
Agora, já que vamos encarar esse horário, acho bom reduzir o tempo adicional dos partidos ideológicos e de aluguel. Esses partidos sem representação tem uma contribuição negativa ao debate público. A série de partidos ideológicos polariza o debate artificialmente, ficamos debatendo com grupelhos que nem no movimento estudantil têm relevância, e nos distraímos dos grandes temas nacionais. Nesse momento de real polarização, isso é realmente ruim.
No caso dos partidos de aluguel, é tão ruim quanto. Os rituais da política precisam ser respeitados, ainda mais quando nem cabem nos jornais os escândalos de corrupção. Nessa situação, é preciso manter a seriedade da coisa. Não estou falando de Tiririca, ou outros candidatos engraçados. Estou falando de gente que já entra no debate para se vender. Essas pessoas tornam tudo mais farsesco ainda, e não pela via (legítima) do humor. Ninguém merece Eimayel mais uma vez na TV.
Esse não é um post super pensado, super refletido. Apenas lançando idéias. Em suma, até pra fazer alguma coisa certa esse sistema precisa de um motivo torpe.
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