Protestos Jovens

Também dei uma entrevista para um novo serviço da Unesp, que disponibiliza no site da universidade entrevistas com professores sobre assuntos atuais. O podcast (não é também novilíngua, “podcast”?) vai estar aqui. Abaixo vai o texto que preparei para eles.

Aproveito para dizer que um texto meu sobre minha experiência dando aulas de literatura brasileira nos Estados Unidos saiu na revista da Abralic.

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Penso que não há uma agenda muito clara nos protestos porque falta “contra que se rebelar”. Como ser contra Obama? Ele é bonzinho, quer agradar a todos. Isso confunde a geração mais jovem; você nem pode se agregar a um projeto, como se fez com Kennedy, nem contestar, como se fez com Nixon.

Tivemos recentemente protestos violentos em Paris e Londres, protestos políticos reprimidos no Irã, outros bem sucedidos no mundo árabe. Em Israel houve protestos grandes e longos parecidos com os de Wall Street, sem objetivos muito claros.

Uma manifestante israelense disse: “Eu não preciso ter agenda; os políticos é que devem saber o que fazer. Eu só estou aqui acampada para dizer que assim não dá.” É um descontentamento difuso que, na minha opinião, tem a ver com as enormes oportunidades abertas aos jovens hoje: liberdades nos relacionamentos, possibilidades de conhecer outros países, relativa afluência, possibilidade de começar negócios e de construir seus próprios formas sociais na internet.

Por outro lado, será que a educação é de boa qualidade? Vai ter empregos para todos? As cobranças não serão maiores ainda que as oportunidades? Nem tudo se concretiza. No caso do Irã e do mundo árabe, não há nem direito ao voto! Então há um descompasso entre as promessas e a realidade.

No Brasil, o crescimento econômico, a expansão do ensino superior e uma fase estável na política podem adiar esses protestos jovens. Mas acho que também aqui esse descompasso entre possibilidades abertas e caminhos interrompidos vai se expressar de modo contundente nos próximos anos, provavelmente por causa da corrupção, da questão da qualidade do ensino, ou dos dois!

Os novos meios de comunicação, tão importante nos protestos nos outros países, estão chegando aqui a uma massa crítica. Um ensino de má qualidade, como o nosso, impede que os jovens atinjam todo o seu potencial. Quando os jovens se derem conta do quanto estão sendo roubados, seja literalmente, pela corrupção, seja pelas oportunidades perdidas, no caso da educação de má qualidade, eles provavelmente vão abrir a boca e talvez vão às ruas.

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