Quem fala em nome da sociedade civil?

Há uma razão para que a democracia seja institucionalizada, mesmo que com isso muitas vezes se perca a relação mais íntima entre governantes e governados. Numa sociedade de massa, essa institucionalização é necessária para que a voz da maioria e os direitos das minorias sejam respeitados, e não será num blog que vou resumir toda a história da democracia representativa, nem vou explicar a importância da separação entre os poderes. Hoje, com os novos meios de comunicação, estamos vivendo uma era fascinante, onde o diálogo entre representantes e cidadãos pode ser resgatado sem prejuízo do caráter formal democrático.

Pois bem. Ontem soube que a Rede pelo Conhecimento Livre (Open Knowldege Brasil), de cujo conselho consultivo sou parte, endossou um manifesto que é contrário a tudo o que eu acredito acima e tenho expressado em tantos lugares, inclusive entre os colegas dessa organização jovem, atuante e que promete ter um lugar muito importante no debate público no Brasil. Isso foi feito sem discussão substantiva mas a assinatura de nossa ONG está lá, então de qualquer modo publicamente nós apoiamos o decreto da Dilma.

É possível daí tirar várias conclusões sobre a necessidade de termos mecanismos formais de deliberação, principalmente no governo mas também em nossa jovem organização. É possível também inferir que se esses mecanismos não existem, então a própria representação fica prejudicada. No nosso caso ao menos, como somos radicalmente favor da publicidade, você pode consultar a breve discussão sobre o endosso do documento na própria internet, que serve como radiografia do grau de representatividade que o endosso da Open Knowledge tem entre seus próprios membros.

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5 respostas em “Quem fala em nome da sociedade civil?

  1. Heloisa, não vale a pena colocar sua reflexão na lista de e-mails? Ontem na discussão presencial foi sugerido que eu tomasse menos iniciativas pois se não viro um faz tudo, então estou sugerindo isso. Acredito que poderá gerar discussão entre os participantes do grupo, na lista de e-mails ou aqui.

  2. Oi Tom! Olha, na lista eu já mostrei minha posição contrária antes da posição e indignação com a posição. Aqui é eu, Heloisa Pait, me afastando de uma posição já tomada e pública. Também é uma revelação sobre o caráter pouco representativo de nossa decisão, que o público deve estar ciente, pois isso é relevante para entender o decreto. Minha vontade era lascar o link desse post na lista de ONGs, mas vou me poupar do dissabor.

  3. OK. Eu acho importante enviar o link na lista, pois considero sua opinião importante na construção da organização, ainda no começo e é certo que cometeremos outros deslizes. Sem o diálogo não vamos melhorar, por isso acho bom compartilhar.

    Pretendo fazê-lo.

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