Ariel Sharon

Em primeiro lugar, não sei nada sobre política isralense. Tem gente que sabe muito menos que eu e se diz expert, mas eu te garanto que não sei nada e não é humildade. Sobre uma pessoa em si, sei menos ainda, pois as pessoas são mais complexas ainda. Sei que um país atacado por todos os lados acaba extraindo seus líderes da caserna, e se isso não é o ideal, também não é pior do que tirá-los do tablado de uma aula de filosofia ou por concurso público.

Sei que li bons artigos no Haaretz sobre Sharon, e gostei particularmente do que disse Tony Blair, que me pareceu muito acertado. Que Sharon foi coerente, e se optou ora pela guerra e ora pela concessão foi porque achou que a segurança do Estado de Israel exigia uma coisa ou outra naquele momento. Defesa do Estado, como um militar, e não defesa de uma ideologia, como um pacifista ou um lunático religioso.

Sobre Sabra e Shatila, é impressionante que seu pior crime, lembrado exaustivamente agora, tenha sido na verdade praticado por outras pessoas, sob outros comandos, de outros países, povos e objetivos. Sabra e Shatila, os campos de refugiados de verdade, com gente morando neles, continuam no mesmo limbo horroroso que se encontravam sob ocupação israelense ou antes dela, depois de tanto tempo. Twittei um documentário recente sobre isso.

Mas os criminosos e as vítimas não são lembrados com frequência; apenas Sharon. Seu verdadeiro crime, para os detratores, pelo que entendi, foi ter vencido guerras convencionais.

Eu não gostava de Sharon. Claro que quando ele falou para o mundo não tratar Israel como a Tchecoslováquia da vez eu gostei, pois gosto de gente que chuta o pau da barraca, é instintivo meu, não consigo me segurar. Então gostei. Levou uma bronca do Bush, mas acho que fez certo, pois o pessoal estava se apressando mesmo em fazer concessões para a Al-Qaida – que não tinha nada a ver com Israel – e o milico deu um basta.

Mas a imagem que tenho de Sharon foi num apartamento em Nova York, vendo TV no pós-11 de setembro com amigos, os três falando mal de Sharon. Descendo a lenha, como desce gente de esquerda quando vê um líder de direita na TV. A certa altura, a crítica passou ao ódio. “Odeio esse cara, não posso olhar para a cara dele, tenho nojo.” Nojo? Disse que estava cansada e fui ao meu quarto ler.

Não, eu não tinha nojo de Sharon.

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3 respostas em “Ariel Sharon

  1. Sharon era um patriota. Tudo que fez, certo ou errado, foi por seu país. Também era racional. Podia ser persuadido a mudar de ideia quando a situação mudava.

    Com um inimigo patriota e racional é possível entrar em acordo. A grande maioria dos líderes árabes não tem amor a seus países ou seus povos. Então continuam guerreando entre si, e usam Israel e Sharon como pretexto para uma longa guerra civil.

  2. Já disse, foi uma sacada genial dos tiranos árabes, encampar o anti-semitismo dos europeus para se legitimarem internacionalmente. A sacada foi pivotearem nos anos 60 do racismo de direita, que era uma roubada, para o racismo de esquerda, que manteve o Assad no poder até agora.

    Taticamente brilhante, manteve os caras no poder, mas destruiu cada um dos países. Nasser, Assad, Saddam, Qaddafi, Arafat, a cada faltava, além da racionalidade, o patriotismo. Por isso, a raiva do Sharon é redobrada, em todos os tiranófilos.

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