A cidade das moedas: idéias sem pesquisas

Escrevo sem pesquisar na internet, só pelo que me contou o Geraldo Paiva, em sua banca da República onde vende pedras brasileiras. Vale a pena pelas histórias, independente do preço da mercadoria.

Que sua avó era filha de uma negra e de um homem de terras em Minas, e portanto tinha alguns recursos. Que em sua casa sempre tinha muitos negros, a quem ela ajudava com comida, com abrigo, gente que a abolição deixou sem terra nem trabalho.

Mas o Senhor Geraldo sobretudo contou da cidade de Freguesia de São Caetano da Moeda Velha, que ganhou autonomia no ano da morte de Getúlio Vargas. Que é bom ir para lá no terceiro domingo de agosto, quando há uma festa religiosa e a cidade fica cheia e bonita.

Que a cidade tem esse nome por conta de negros escravizados que trabalhavam no garimpo, mas que desviavam parte do ouro mata adentro, onde chegaram a ter uma fundição. E que o Rei descobriu a fundição e acabou reprimindo a empreeitada.

Mas até aí já havia uma vila, a vila da Moeda. Geraldo me garantiu que a história é essa, ficou até um pouco indignado com meus pedidos de detalhes. “O homem sempre roubou,” ele disse e anotei em meu bloco eletrônico, como se fosse algo a ser confirmado ou rejeitado por investigações futuras.

O homem sempre roubou. Roubou a liberdade do outro, que roubou o ouro do outro, que teve a empresa roubada pelo outro, que depois ficou à mercê da bondade da avó de Geraldo, pulando aí um bom século, talvez roubado também.

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2 respostas em “A cidade das moedas: idéias sem pesquisas

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