Saí da condicional!

No Brasil, fala-se em estágio probatório o que o docente passa até ser efetivo, ou, em inglês, obter tenure. Mas em inglês probation é a condicional, e exatamente por serem as exigências do probatório muito reduzidas, sempre me senti um pouco na condicional.

Pois na burocracia, exigências poucas podem significar exatamente o contrário. Que critérios então fazem a peneira? Ficamos sem saber.

O processo, que só pude enviar depois de mais de 4 anos de trabalho, ao invés de 3, ainda corria o risco de ficar parado durante a greve para ser devidamente apreciado pelo departamento.

Mas no final, por insistencia da nossa secretária, os processos foram encaminhados no menor prazo possível, e depois de quase um ano voltaram à “unidade”, como eles chamam a faculdade. Tem um tom presidial não? Mas voltaram, isso é o que importa.

Agradecimentos: a todos, colegas e amigos, que ouviram minhas queixas sobre a burocracia e sobre o tipo de ação que graça na burocracia, que eu garanto não é o mais nobre. Colegas também do departamento, que fazendo as contas são vários, que fizeram algo que vai além da job description, que é me dizer para nunca perder o rumo, da orientação, da investigação, do pensar. Eles não vão botar isso no Lattes, mas deveriam: auxiliaram colega a lidar com ações decorrentes da burocracia não exatamente nobres.

E, óbviamente, aos colegas da Unesp e de outros cantos, alunos, leitores do blog, colegas de outras paradas (Open Knowledge, Onda Azul, Pitt), professores que conversando ou não estão na minha mente, amigos, parentes americanos e brasileiros, idish e goym, homens e mulheres, gente que comigo pensa, me faz pensar. Agradecimento especialíssimo aos orientandos, que são poucos por conta dessas restrições de ordem burocrática mencionadas, mas são preciosíssimos, valem por mil, e que comigo criam.

Brigas burocráticas haverá sempre, mas essa vitória, mais burocrática que intelectual, é um exemplo de que se pode vencer aquela com as armas dessa, mas nunca o contrário. Nunca um sujeito vai ser mais inteligente, descobrir algo para o país, ter a satisfação de um aluno o superando, com rasteiras burocráticas.

Ontem, conversando com um amigo da internet, me toquei disso: os membros do estamento – se é ruim não estar no estamento, estar dentro é bem pior, pois é um lugar vazio. É o lugar da exploração da doutrina em favor de nada. Não é um lugar que eu gostaria de estar.

E não estou! Então agradeço a todos, de coração, por serem parceiros nessa busca intelectual! E vamos enfrentando os leões, um de cada vez, sem açodamento.

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