Ônibus no Rio: aventura urbana

Puxa, hoje li a triste notícia de que um jovem estudante foi morto por assaltantes na Praia Vermelha, no Rio. Eu estive talvez nesse mesmo ponto de ônibus, na semana passada. Uso transporte coletivo, mesmo à noite. É barato, é divertido, e provavelmente até mais seguro que carro.

Num de meus passeios, no dia do aumento da tarifa, me diverti vendo o simpático motorista/cobrador vindo do Leblon pro Centro se desdobrar com o troco. Alguns passageiros colaboravam, outros tentavam se aproveitar da confusão. Um casal atrás de mim brigou: ela se indignou com a estratégia do namorado. O ônibus enchia à meia-noite, por conta das paradas lentas, da cobrança complicada. Pedi para o motorista parar em frente ao Catete, e fui pra trás no Botafogo.

A cada ponto, o motorista gritava: alguém vai descer? E aí todos em uníssimo: Só pára na Lapa! Estavam indo músicos, jovens, todos à Lapa para o começo da noite que para mim já era o fim. Mas ele parou para mim no Catete, todo mundo ajudou, eu te aviso, é aqui, etc. Adorei o passeio.

Num outro dia fui do Flamengo para o Jardim Botânico. Atrás de mim dois PMs conversando normalmente, sem voz baixa nem alta, sem se gabar nem esconder, sobre como abandonar o trabalho. “O que eles podem fazer? Na pior das hipóteses te enviar para um lugar distante.” E iam placidamente contando causos, de como depois que o tenente saía eles saíam também, ou ligavam de casa dizendo que estavam em tal lugar, ou estavam em tal lugar sozinhos e então pediam para ser dispensados pois se der alguma merda o que eles vão poder fazer, e assim foi, até o Jardim Botânico.

Na saída lhes fuzilei com meu olhar, como disse um conhecido meu, de meidale severa, ou de paulistana chata, o que vocês preferirem, e eles me olharam de volta um pouco assim atônitos, que essa mulher tem?

Ônibus é mesmo instrutivo. Você pode ler todos os trabalhos acadêmicos sobre a militarização da polícia, e coisa e tal, ou, se for de direita, sobre a leniência da legislação, mas uma boa conversa escutada de contrabando te ensina que o problema não é a direita ou a esquerda, mas a ausência de policiais nas ruas. Em suma, gestão.

Como disse o policial: o que eles vão fazer? Contrata gente que gosta de ser policial, paga razoavelmente, treina e equipa, e aí demite quem não consegue dar conta. Não dá grandes teses, mas pode ajudar na segurança pública.

Pode incrementar, com tecnologia, informações em tempo real, etc. e tal. Pode. Não sei se é necessário. E certamente não é suficiente. E, veja, não estou falando de corrupção, de “banda podre” e coisa e tal. Talvez o principal problema seja que os policiais, bem, simplesmente não estejam nas ruas…

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