José Roberto Mendonça de Barros no iFHC

Excepcional hoje a palestra de José Roberto Mendonça de Barros no Instituto FHC. Eles colocam as palestras na internet, procurem pois vale a pena ver, e se colocarem os quadros e mapas também pois davam um panorama geral dos desafios da economia brasileira. O resumo é que a situação é realmente muito ruim, tanto no nível macro como setorialmente. Alguns setores com capacidade ociosa, como o automobilístico, e além de tudo a Petrobrás que está paralisada e portanto paralisando.

As perguntas também não ficaram atrás, pois estavam lá importantes economistas. Pastore notou que o aumento planejado no superávit é inédito na economia (para 1.2% do PIB, vindo de déficit de 0,5%, acho) e será muito doloroso. Isso, Pastore dizendo que o aumento no superávit é inédito e será doloroso. Por isso Mendonça acha que não será cumprido, pois as reações serão muito fortes. Fernando Rodrigues também falou, não disse nada de muito especial, mas concordou que as pressões serão muito fortes para que o ajuste se dê.

Pra quem for ver o vídeo, veja também os comentários finais de Fernando Henrique, onde ele fala como é difícil realizar ajustes, como é necessário ter apoio no Congresso, pois qualquer erro pode comprometer o plano. É preciso apoio, atenção, conversa, enfim, presidir. Impressionante a qualidade dessas pessoas. Pena que não estejam no governo federal, ajudando esse país a crescer e se desenvolver.

Três comentários meus:

Em primeiro lugar:

São Paulo vai ter um papel muito importante nesses próximos anos. E não vai ser pela intensidade da oposição, por grandes distúrbios de rua. Pelo contrário. São Paulo vai ser a voz moderada, a turma do deixa-disso, a muleta da Dilma nos piores momentos. Não estou falando de cooptação por conta de uns trocados para a seca, não é isso. Estou falando em civilidade.

O paulista já está “bracing for impact”. Votou no Aécio, sabia que era necessário um ajuste e sabe que com a Dilma o ajuste será pior e menos eficiente. Então não haverá o sentimento de traição que teremos em estados onde ela venceu as eleições.  Haverá apenas tucanos dizendo “viu, viu, viu?” para petistas. Além disso, somos usuários da internet há mais tempo e passamos por junho de 2013. Então já entendemos melhor o meio e seu efeito caótico será menor.

Se houver protestos aqui, serão na minha opinião pacíficos – ao menos os espontâneos. Claro que pode haver protestos como o dos ônibus, ou por movimentos com agendas anti-democráticas. Mas, no geral, penso que a crítica que vier de São Paulo será produtiva, construtiva, tanto a das ruas quanto a do sistema político. Já o eleitor de Dilma, se o que foi discutido hoje é real, eu não sei como vai reagir. Ele vai se sentir roubado e traído. E os artistas, secando o poço da Petrobrás, vão passar da exaltação ao rancor, piorando a coisa. Vamos ver.

Em segundo lugar:

Parecia que os economistas tratavam o governo Lula de modo muito distinto do de Dilma. Mas no plano da política, a diferença não era tão grande. Sim, talvez Dilma tenha criado um desastre econômico. Mas será que não aguentamos muito até que a irresponsabilidade chegasse ao bolso? Será que a oposição (e a própria sociedade) não ficou muito à mercê da economia, do consumo, deixando de lado os vários ataques à liberdade de expressão, a compra de votos, etc.? Será que não fomos comprados pelo Lula, será que ele não nos levou no bico durante 8 anos?

(Eu senti um certo machismo também, nas risadas, nas brincadeiras tolas sobre saias e calças. Não acho que Dilmas devem ter mais respeito por serem mulheres: a incompetência deve ser sempre denunciada. Mas acho que Lula deveria ter sido questionado mais durante o governo, e não foi. O nível de estupidez que se permite de um homem é maior, ainda.)

Finalmente:

No quadro de Mendonça sobre o panorama mundial, lá está Israel e Palestina como fontes de instabilidade, quando todos nós sabemos que não são; pelo contrário. ISIS é grande drama do lugar, além das tensões entre Iranianos e seus vizinhos. A África também preocupa. Mas é algo tão arraigado pensar em Israel como problema, que pessoas brilhantes não percebem o absurdo.

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