Todos tristes com o resultado das eleições. Todos?

Nas ruas, nessa semana, o silêncio dos derrotados, o que é normal. Cabisbaixos, jogando material de campanha fora, botando as roupas azuis para lavar e vestindo as camisas rosa-claro que era só o que havia nos cabides. Os vitoriosos, para nossa surpresa, não comemoraram: continuaram nas redes sociais repostando os ataques da campanha e até subindo o tom. Cadê a alegria de vencer uma eleição disputada? Não vimos. Depois as notícias da indicação de banqueiro, compra de aviões, continuidade das investigações, nada, é verdade, era motivo de alegria. Mas mesmo antes já estavam agressivos.

Nenhum plano novo, nada positivo, nenhuma grande proposta. Havia apenas o rancor da vitória, essa coisa inédita, para a qual me sugeriram uma explicação.

Os petistas não queriam ganhar as eleições de 2014.

Estavam se preparando para voltar a uma oposição muito mais cruel que a dos anos Fernando Henrique, queriam sair às ruas denunciando o governo do arrocho, dos banqueiros, da discriminação. Isso o eleitor ideológico.

Já o governo Dilma não poderia, me foi sugerido, em são consciência ter detonado as contas públicas deste modo sem ter como horizonte a derrota. Era a política do quanto pior, melhor, só que administrando o executivo.

Algo que imaginamos seria feito depois da eleição até a posse, foi feito ao longo de 2014. Será? Difícil saber. O governo não é monolítico. Talvez em uma decisão o aspecto “dane-se” prevaleceu, em outra não.

Em todas, claro, havia o aspector eleitoreiro, que é irresponsável dentro de uma certa responsabilidade. Mas talvez houvesse algo mais que o gasto eleitoreiro.

Belluzzo falou isso: “Eu não sei quem acordaria mais alegre, quem ganhou ou quem perdeu.” Tenho certeza que a oposição acordou triste, pois havia, com todas as dificuldades, ímpeto para enfrentá-las. Um Armínio não larga tudo para coordenar um programa de governo apenas para marcar posição. Estava na cara de Aécio, de Aloysio, a decepção por não poder botar, logo na segundona, a mão na massa.

Se Belluzzo pensa que estamos alegres, é por seu modo torto de pensar. Agora, sobre os vitoriosos rancorosos, aí o que sentem não seria tristeza, que é um sentimento saudável, de perda. Pode ser apenas uma raiva por termos lhe roubado 4 anos de sabotagem. Como o que um ladrão encontra quando se depara com uma casa bem guardada.

Não estou aliviada com a derrota. Tenho medo do que pode acontecer, na economia e na política, ao longo de 4 anos. Pois Dilma não poderá nunca “copiar” o plano de Aécio: falta-lhe tudo, quadros e liderança, honestidade e competência. Entretanto, uma coisa pode ser verdadeira: esses anos poderão ser de reflexão sobre a contribuição do Partido dos Trabalhadores ao Brasil, e, se o país resistir, a resposta virá em 2018 de modo claro, sem ambigüidades.

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