Lição do Professor Jeffrey Goldfarb

Um bom orientador é aquele por quem você se encanta sem que seus colegas saibam por que, depois briga quando ele não entende a questão mística por trás de sua pesquisa de doutorado, aí fica uns anos sem falar com o gajo e num belo dia, já professora, dá uma olhada nos seus próprios programas de disciplinas e vê que ele está lá, não os textos dele, que podem ser ou não brilhantes, mas ele como ser humano, como mente organizadora de sua idéias e propósitos como educadora.

O Jeff está presente nos meus cursos. E vou contar aqui uma história que aconteceu no curso que ele deu, Interacão Simbólica. Não “interacionismo”, ele reforçou, mas a interação. Íamos examinar a realidade, não a teoria. Os colegas reclamaram da superficialidade do curso, que ele não lia os textos antes da aula, que não trazia 500 referências em cada encontro, que era tudo um grande senso comum. Até que um dia um aluno coreano disse que não havia racismo no Oriente, e todos contra ele argumentando o contrário, sem sucesso. Intelectualmente, achávamos que deveria ter, e citávamos autores e trazíamos conceitos. Jeff, na época acima do peso, não conseguia entrar no debate.

Até que conseguiu a palavra e perguntou, pragmaticamente (no sentido filosófico do termo, tributário do Pragmatismo):

– Escute, e se sua irmã resolver se casar com um japonês, tudo bem? (eu abrasileirei um pouco a frase, não foi bem assim)

O aluno enlouqueceu. Claro que não! Ia ser um escândalo. Como assim por que? Inadmissível.

Não importava o termo, a definição. Importava o aspecto prático da forma de segmentação social. O efeito nas relações sociais. Pois bem.

Com relação a Israel, quem me segue já sabe onde vou chegar, acho que nem preciso continuar o post.

Se você protestou na Primeira Intifada, depois foi tocar a vida, está com uma viagem marcada para apresentar um trabalho no exterior, seu filho adolescente está nas ruas hoje, você está tranquilo da vida? Não está. Um palestino comum hoje está apavorado com o que pode acontecer.

Se você quer ir pra praia, se refugiar da opressão de gênero da sua comunidade, se infiar num biquini de bolinha amarelinho e depois curtir os jogos da Copa nos telões de Tel Aviv ao lado de meninos bonitos, você está podendo curtir sua adolescência como uma menina normal? Não está.

Se a gente se coloca do lado de pessoas “como a gente” na Cisjordânia, e simplesmente se pergunta como estaríamos, certas coisas se revelam de modo mais verdadeiro. Os problemas reais se revelam, os ideológicos vão para um segundo plano. Não respondi aqui as críticas que me foram feitas, mas trouxe o lugar de onde penso quando penso no OM.

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