O abacaxi está lançado

Mesmo sem internet por um dia, acho que ando pensando em Tweets.

Em primeiro lugar, a Copa. Queria lembrar aos fomentadores de cisões sociais que o futebol foi trazido pelo capitalismo imperialista mancomunado com as elites paulistas. O povo da cidade viu que era bom e logo adotou. Depois quem adotou foi o povo brasileiro, e finalmente o governo Vargas para fins propagandísticos, no que governos posteriores o imitaram. Mas isso não muda o fato: futebol é global, não é nacional, mesmo porque a idéia de uma cultura nacional é já de uma tremenda artificialidade.

Haikai da Copa:

Areia dura das Astúrias, jogo da seleção
Banhistas miram-se cúmplices
como professores na greve.

Eleições: O abacaxi está lançado.

Penso que todos os atores políticos já dão como certa a vitória de Aécio. E não como derrotados, resignados. Como aliviados, pois o abacaxi de 2015 é grande. As eleições são só para marcar posição, aglutinar os próximos passos de seus partidos, quem sabe cavocar um ministério sem muitas responsabilidades, ainda não totalmente detonado pelo PT, mais para encher a paciência do que para de fato trabalhar. Nesse contexto, o estabelecimento dos conselhos faz enorme sentido, claro. Mas acho que vai mais além disso. Acho que a oposição (e já estou falando aqui do PT) já está pensando em 2018, em como deixar o PSDB fazer os consertos necessários mas se mantendo na mídia, na cabeça das pessoas. Sobre a Marina e o outro cara, faça-me o favor. Isso está óbvio, pelo discurso vazio, pela ausência de direção, pelas alianças nos estados. Estão valorizando o passe. (A imprensa também não ajuda, noticiando apenas as fofocas, sem perguntar sobre planos de governo.)

O governador de São Paulo, se aliando aos adversários, quer manter uma certa independência de um governo que promete ser muito bom dentro das condições encontradas. Acho isso lamentável: então que se filiasse ao PSB e deixasse algum tucano concorrer ao governo, oras. Talvez não queira mesmo o Aécio na presidência, pois aí seu medíocre governo terá termo de comparação. Uma pena, pois o paulista quer Aécio na presidência, e um bom governador deveria apoiar o povo que o elege e paga suas despesas. Não vou votar nele no primeiro turno, por conta desse muro, mas no fundo temo que a trapalhada seja tão grande que o grande perdedor pode acabar sendo o povo paulista. É preciso lembrar que, ao contrário do governo federal, o governo de São Paulo não está mal das pernas, e existe mesmo uma disputa pelo governo, que um arrivista qualquer pode levar.

Pode ser que o PT veja, por analogia, que o governo de São Paulo será uma excelente oposição ao governo federal. Mas não é tão simples assim. Oposição paulista dá certo quando é correta, democrática, produtiva. O Estado não tem vocação golpista.

Enfim, no plano federal, estão lutando como o a Inglaterra, Portugal, Espanha, na terceira rodada da primeira fase. A luta é pela honra, pelo respeito ao torcedor que veio de longe, mas também pelos contratos milionários, pois a vida continua, e a quatro anos as esperanças se renovam. Já em São Paulo, a luta é real, e temos um candidato indeciso diante de outros ávidos. Para serem oposição ao Brasil.

ps. pode ser que um bom vice seja um político nordestino, por causa do voto dos apoios, digamos. Votos que vem de relações com prefeitos, com as máquinas partidárias. Jereissati pode ser um bom nome.

Agora, bom mesmo para o voto popular eu acho que seria um nordelista, como Lula, Erundina, um nordestino (ou nortista) que tivesse feito a vida em São Paulo. Nada a favor do Lula ou da Erundina, não me leve a mal. Mas acho que os nordestinos que construíram a vida em São Paulo são testemunha tanto das realizações do povo brasileiro como das oportunidades de São Paulo, e isso o eleitor gosta, corretamente, de ver. Eu gostaria. Mas, como disse, agora é só chutar a gol e comemorar (?).

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2 respostas em “O abacaxi está lançado

    • Política é complicado se você pensa como cidadão, como eleitor, como gente. É só pensar como político que tudo fica mais claro. Como me disse um assessor político outro dia: “Vocês não lêem o jornal direito.”

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