Sabbatical 11

16 junho

Hoje se alguém quiser me cortar o ponto, tudo bem! Pela manhã, ajudar a faxineira na faxina da casa e arrumar um pouco a casa, à tarde a aula da brilhante Renata Melo, propondo coisas dificílimas para mim, mas ao final da aula sempre me sinto muito bem, como se tivesse accomplished alguma coisa.

É sempre bom aprender.

De trabalho, email para aluno, conversa no skype com aluna, orientação dos trabalhos no Moodle (quem diria!, será que vão me surpreender?), ver com editor se artigo vai sair, não valeu o pão que comi.

A-mei o jogo dos EUA! Torci mesmo, de ficar chateada no empate e tudo. Entrei no clima da Copa.

Se eu contar da greve vocês vão achar que estou lendo Kafka demais. O diretor, parece, soltou um comunidado defendendo veementente o direito de greve. Você acha que houve algo grave, alguém foi ameaçado, cortaram o vale refeição, enfim, que estamos desambando numa ditadura neoliberal.

Mas parece, tudo parece pois nada foi escrito e assinado, que é porque um chefe de depto pediu pros substitutos continuarem as aulas já que o contrato é por tempo determinado.

Não vale rir.

O RH, que até onde eu sei se pauta pela racionalidade, disse que pode estender os pagamentos se houver um novo calendário. Mas se o semestre acabar antes do novo calendário, aí tem que terminar o contrato.

Isso me lembra muito aquela canção famosa:

Arroz, queremos com feijão
A pinga, queremos com limão
Porém se a pátria amada…

17 de junho

Hoje também não fiz nada, mas como metade do dia ninguém fez nada, peço que não me cortem o ponto! Acordei cedo para receber meus hóspedes, torcedores ingleses, que adoraram a paulistânia! Ainda bem, pois foi um bocado de meias lajes! Fiquei lá dando dicas da cidade e do ap, fiz café, consertei internet, etc.

Depois clube, alguns emails com orientanda, orientações dos trabalhos do curso – e se os alunos de fato apresentarem trabalhos até segunda, eu vou dar aula na quarta? Confesso que estou com medo de furar a greve. Pode isso, Arnaldo? Um Pait, com medo? Mas se, como disse meu irmão, a greve é obrigatória, me dá um certo medinho…

Aí natação, almoço corrido pois o restaurante tava fechando, jogo até que animado, com mega telão, e voltar para casa. Moça da piscina, estacionamento aqui em casa, porteiro do prédio, todo mundo trabalhando durante o jogo. E nós, belos e frescos, em greve. Uma sensação de vergonha laboral, digamos. Nem se eu ganhasse na loteria e nunca mais lavasse um copo na vida eu teria uma vergonha assim, pois quem teria jogado na loteria e me endinheirado teria sabido que endinheiraria alguém com sua aposta.

ps. vi agora que alguns professores se colocaram contra as fomas de pressão contra professores que estejam dando aula. Ou seja, a pressão física existe. Assim como não conheço um Pait que tem medo de falar, também nunca vi um que gostasse de encarar confrontos físicos. Então meu medo é, de certo modo, justificado… Como um campus chegou nesse ponto, aí eu já não sei dizer.

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