Finalmente uma segunda via!

Eu estou realmente animada com as eleições. Penso que quem apostou numa terceira via viu as coisas de uma perspectiva errada. Era preciso uma alternativa a Dilma e Serra, que estão no mesmo espectro político: o desenvolvimentismo. Ambos acreditam que o desenvolvimento econômico deve ser gerido pelo Estado, e não apoiado em uma fase específica, como propôs o brilhante Raúl Prebisch: as gentes não se viram sozinhas. Ou seja, era preciso um pólo novo, perdido nas eleições de 2002.

Seria preocupante se a alternativa viesse à direita. Mas a direita no Brasil é algo muito limitado. E a alternativa veio do próprio PSDB, partido com uma bela história democrática e com compromisso com a justiça social. Os tucanos não vão se assumir como liberais: no Brasil o liberalismo foi estigmatizado com sucesso. Mas eles vão adotar políticas racionais, que em larga medida são liberais, e talvez até assumam mais que o governo tucano anterior esse rótulo – ou fujam menos dele. A proposta de estender benefícios sociais por seis meses de emprego aponta claramente nessa direção: o objetivo é que o cidadão se firme enquanto ator social produtivo.

Se com Serra e Dilma não havia propriamente dois pólos, então não sobra muito espaço para alguém que busca uma média dos dois. Pois o cansaço popular é com os dois. Por isso penso que o candidato de Pernambuco vai ter apenas os votos, digamos, dele, ganhos pelas alianças, pela lógica de grupo. Não vai ter votos ganhos em campanha, pelo convencimento. Marina vai roubar alguns votos de alianças, e ganhar alguns pelo que ela representa – que não está muito claro -, no final fazendo pouca diferença.

Acho que o Eduardo Jorge pode surpreender. Pois Aécio não vai querer entrar nas questões individuais, como direito reprodutivo e liberalização da maconha, que o candidato do PV vai trazer para a campanha. Então mesmo sem recursos, Eduardo Jorge pode ter o voto da jovem esquerda, digamos, super conectada na internet. É uma alternativa para quem não quer endossar um partido careta como o PSDB, mas sabe que as liberdades individuais só servem para o PT como bandeira, mas não política pública.

Eu, que já passei dos 40, acho que vou de PSDB no primeiro turno mesmo. O tucano vai fazer um excelente governo e vai firmar o Brasil na trilha democrática, e é isso que importa! Mas, para quem tem menos de 40, e pra quem as eleições são também um momento para firmar identidades enquanto cidadãos, votar no PV de Gabeira e Natalini faz todo o sentido, não apenas pelas questões individuais, importantíssimas, mas também para mostrar aos governantes que a questão ambiental dá voto sim!

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