Sabbatical 9 – A Copa

12 de junho

Acarajé (como todo mundo sempre pede essas receitas, que são apropriações simplificadas da internet, estou colocando aqui no post)

Ontem nem sei se contaria dia de trabalho, pois foi um feriado planetário. Quer saber? Eu não teria dado feriado total. Se fosse prefeita, teria colocado uns mega telão pela cidade, e feito feriado a partir das 4 da tarde, para que as pessoas pudessem confraternizar no trabalho, nas escolas, nas ruas, pois a festa é cívica e não familiar.

Na Copa passada estava em Tel Aviv, e é genial ver todo mundo torcendo junto, cada qual para seu país favorito, numa área pública. Isso, todo mundo mesmo, moças com véu, inclusive. Em São Paulo, a cidade tetricamente abandonada, ao invés de  confraternizando publicamente, em sua diversidade.

Mas até que trabalhei, ainda no artigo com orientanda, está ficando bacana. Fiz um outline, agora acho que é mais traduzir o material dela. Espero que ela não se chateie com minhas mudanças, acho que não.

Depois impossível de se concentrar, Pão de Açucar quase fechando para comprar coisas para o cuscuz, ir na casa do Gerson e curtir uma festa divertidíssima, com gente bacana, de todos os cantos do país, de uma família indígena do Acre aos Müller de Santa Catarina. E eu, daqui de Higienópolis, vendo as pessoas repetirem o meu legítimo cuscuz baiano…

Sobre a Copa, o Felipão deu um belo recado tanto aos manifestantes quanto à Dilma. Disse que o paulista torce pela seleção. Ou seja, falou que quem torce contra é minoria e que quem diz que paulista é estraga-prazer está mentindo. Com a casa cheia, não ouvi bem as vaias, mas pelo que entendi a torcida sabia muito quem queria vaiar, e para quem foi torcer.

13 de junho

A manhã foi parar não sei onde. Acordei tarde, feliz com a festa de ontem, e o trabalho doméstico me ocupou. À tarde, continuei no artigo, que está indo devagar mas ficando interessante! Traduzi uma parte mais poética do texto da orientanda, ficou bem legal. Ela é muito sensível.

Da política, acompanhei na lista da Open Knowldege emails de gente que quer apoiar o decreto da Dilma sobre conselhos populares. Triste ver gente jovem querendo mergulhar nas sinecuras do Estado, mas o Brasil é assim, cheio de contradições. Por um lado, apoiam os protestos, por outro abanam o rabo com os carinhos da presidência. E não sou eu assim também? Não somos todos nós, brasileiros, arreganhando os dentes e implorando os ossos da janta?

Na Unesp, assembléia de professores antes do próximo jogo do Brasil, para entrar no clima, já ir se esquentando para o que realmente importa no país. Parece que alunos também entraram em greve, uma colega que falou. Só um esclarecimento: tecnicamente, meu curso não foi afetado pela greve. Joguei as últimas aulas para o final de julho, então se as aulas forem retomadas a tempo formalmente meu curso não perdeu nada. Mas na prática o curso já foi pras cucuias, claro. Os alunos se dispersaram, não sei se estão fazendo os trabalhos (em geral esse tempo aberto que deixo é pra isso), nem sei se se lembram de que se trata a matéria. É o terceiro curso acochambrado em seguida que sou forçada a dar.

 

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Uma resposta em “Sabbatical 9 – A Copa

  1. Concordo plenamente com você Heloisa! O brasileiro não entendeu o que é confraternização cívica. A festa da Copa não é só familiar! Aqui, em São José, praticamente ficou tudo fechado a partir das 15:00. Até padarias!! Acho que muitos comerciantes ficaram com receio de possíveis manifestações e depredações.

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