Em Brasília Dia 2.1

Cabeça cheia de tanta informação, nem sei se dou conta. Almoço com os jornalistas de O Globo, com a Isabel que me entrevistou no ano passado. Puxa, conversas de alto nível, dicas, muito interessante.

Visita ao Lab Hack da Câmara, um órgão que procura abrir dados para a comunidade da internet e também oferecer na plataforma E-democracia alguns aplicativos, gostei especialmente do Wikilegis, onde você pode ir editando projetos em tramitação. Tem deputados que vêem as sugestões, fiquei com impressão de que são sempre os mesmos: Molon, Pimenta, Pimenta, Molon. Desafio é abrir a coisa, convencer deputados de que é preciso colaboração popular. Alguns exemplos bem sucedidos. Gente muito interessada em colaboração com universidade e ativistas da internet, quem me recebeu foi o Rogério e equipe, gostei muito.

Não falei que ia sair daqui bem impressionada?

No final da tarde, acompanhar votação do Marco Civil. Twittei bastante, deixa ver se lembro: o Bolsonaro é um alucinado mesmo. Melhor que o Obama leia meus emails que o PT controle o que eu digo. Tá, isso eu também acho. Mas ele grita, berra, xinga, e o Marco Civil não é controle do PT. Roberto Freire contra legislar em geral. Como assim? O Marco Civil é para impedir que um Eduardo Azeredo se junte a uma atriz qualquer e criminalize a internet. Não dá pra entender.

Muito bem articulados, o próprio Molon e o líder do PSDB apoiando com ressalvas. Muitos pareciam não saber de que se tratava, falando generalidades sobre acesso à informação, a comunicação do século XXI e tal. Detalhe que escapou até a uns jornalistas que estavam acompanhando do meu lado: pelo que entendi, para angariar votos o Molon incluiu um notice and takedown para imagens de nudez ou sexuais. Para a mulherada votar no projeto.

Não sei se faz sentido, e acho que abre brecha. Pois por que exatamente é pior que uma imagem de uma mulher transando seja veiculada do que uma acusação caluniosa contra um homem? Me escapa. Um homem honrado, acima de qualquer suspeita, que é acusado injustamente, como por exemplo o Deputado Eduardo Azeredo, pode alegar que se a imagem real de uma mulher fazendo algo que de fato fez pode ser tirada da internet sem decisão judicial, por que não uma mentira deslavada sobre sua conduta ilibada?

Mas, enfim, até quando saí de lá a coisa estava se encaminhando para a aprovação, até para destrancar a pauta de votações, pois o processo em regime de urgência impede outras votações. Diagnóstico geral? A coisa funciona. Como eu não sei. Muita gente votou a favor sem ter a menor idéia do que se tratava (falou-se de Cuba, falou-se de regular o mercado, e o Marco não é nada disso), e pelo que entendi Freire e Bolsonaro também votarão contra também sem a menor idéia do que se trata.

Nesse caso, ao menos, parece que prevaleceu o bom senso da oposição razoável e a priorização do projeto pela Dilma. Acho que já falei ontem, mas o PT nessa história toda está melhor na fita que o PSDB…

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2 respostas em “Em Brasília Dia 2.1

  1. Precisaria entender melhor a coisa. Eu acho que teve muita vaidade, e também posição anti-governo automática. Agora, quanto ao debate mesmo, no fundo no fundo não sei se houve. Talvez a posição dele tenha algum mérito? Acho que não, mas não houve debate nem no congresso nem muito abrangente na sociedade.

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