O Feirante – follow up

De nada adiantou a oferta de um amigo, que tem relações com o governo do Estado, para pressionar por investigações sobre a morte do feirante aqui da Vila Madalena. Alguns emails trocados com gente graúda, pouca boa vontade, nada além. Na feira, o sujeito que comprou a barraca me disse: melhor não mexer nisso. O secretário da segurança prometeu apurar os fatos. O contato entre meu amigo e o secretário achou meio email confuso.

Não sou especialista em segurança pública, mas não acho a situação confusa. Há cidadãos bons e maus, assim como policiais bons e maus. Até aí a coisa é realmente simples. Os cidadãos bons ficam acuados com a violência. É simples, é racional, é assim que funciona. Você cala a boca pois tem mais o que fazer, não vai se indispor com a polícia, etc. Os maus policiais são, por definição, bandidos armados. Saem matando a esmo, é sua natureza. Nada de difícil compreensão.

Os maus cidadãos são, também por definição, bandidos armados ou não. Na sua maioria, seres racionais, pois psicopatas tipo o José Dirceu a sociedade não produz em grande quantidade. Vêem que o crime não compensa, mas fundamentalmente vêem que roubar um chiclete ou queimar um ser humano oferece o mesmo risco. Então dá nessas útlimas semanas. Não sei até aí o que há de tão espetacularmente complexo.

Agora entram os bons policiais. Caso investigassem crimes cometidos por policiais, e devolvessem alguma hierarquia de risco à atividade criminosa, em algum tempo os bandidos se adequariam à nova situação, onde roubar um chiclete é roubar um chiclete, dar uma coronhada numa pessoa é dar uma coronhada numa pessoa e matar é matar. Mas não. Os bons policiais se calam, porque isso e aquilo.

Para mim, pode ser complexo ou simples, a conta dessa onda de criminalidade está nas chacinas de 2006 (http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-11/maes-de-maio-faz-ato-em-memoria-das-vitimas-de-chacinas) e 2012. Nas mortes causadas pelo poder público sem uma investigação, sem um pedido de desculpas. A população quer o fim da impunidade, e claro que também quero a investigação dos crimes e a punição dos criminosos.

Mas um cidadão inocente morto pela polícia me apavora mais, pois avisa a todos os seus amigos, familiares e conhecidos que a vida, para o Estado, vale pouco.

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