Orgulho da USP, orgulho do Brasil

Hoje a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin foi inaugurada, no campus da USP do Butantã. Fiquei orgulhosa da USP, e orgulhosa do Brasil. Um prédio de verdade desenhado com amor. Um acervo acumulado com amor. Doado pelo Mindlin e, por causa de atrasos no projeto, re-doado pelos filhos, emocionadíssimos no evento.

Não sei quais os percalços para a realização do projeto. Tendo nascido na USP e sendo criada na filial do interior, imagino. Por isso a emoção da realização, já falecidos o doador, Mindlin, e o principal articulador da biblioteca, lembrado diversas vezes. Fernando Henrique foi entusiasticamente aplaudido “por ter feito a revisão da legislação que permitiu” as doações.

O grosso foi dinheiro da USP. Mas houve dinheiro da Petrobrás, do BNDES, de empresas privadas. Foram duas horas de discursos. Sem tédio algum. Cada um trazendo um ângulo distinto dessa empreitada dos livros. Nem os petistas fizeram feio. A Marta, emocionada, falou com carinho da família Mindlin. Prometeu empenho na lei dos direitos autorais, para expandir o acesso à informação. E, chorando, garantiu que vai recuperar a Biblioteca Nacional.

Saí achando que as coisas são possíveis no Brasil. Demora, e talvez quando as coisas dêem frutos você não esteja mais vivo. Mas o país caminha na direção certa. Mesmo na Universidade.

Ando nostálgica, e no final das palestras fui falar com Eduardo de Almeida, autor do projeto. Parecia que ele já havia me reconhecido, mesmo antes de eu me apresentar. “Você está bem? Se vê que está! Você está a cara do Henrique!” Talvez seja essa a minha sina, ser a cara do meu pai. Felipe, em agosto vamos fazer uma homenagem ao pai? Acho que seus amigos gostariam.

Também vi o Cardoso, sempre animado. A Lenina, o Helinho, da FEA. Quis falar com o Marcovitch, acho que ele sabe coisas que eu não sei. Falei com antigos professores, Ricardo Terra, amigos da FEA, Duda Wurzman, estava todo mundo lá. Iris Kantor, ligada ao projeto. Todos felizes. Estávamos felizes. Gregori, “onde você anda, me procura, preciso falar com você!” Nas falas públicas choraram todos, foi bonito ver. O filho, o arquiteto, a Ministra da Cultura. Não se mencionou o judaísmo do Mindlin, o que é engraçado, pois o homem viveu entre os livros, e nós temos fama de gostar disso, mas tudo bem.

Era hora de celebrar a Brasiliana, uma vida, os livros, a doação, a construção de um prédio de verdade, a colaboração de todos – isso é que foi incrível – a colaboração de todos nessa empreitada comum. Que quem fez parte deve estar realmente feliz. Quem não fez parte – como é que vou explicar? – quem não fez parte também fez. Pois as coisas grandes abarcam. Incluem. Convidam. Inspiram. Então me emocionei como se eu tivesse dado os livros, como se eu tivesse feito o projeto e tivesse lutado contra todos os entraves burocráticos durante anos. Como a Marta, também fiz minhas promessas.

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