Nota de Rodapé: Todá, Moré!

Valeu o esforço de ir até o shopping ver esse filme, incluindo uma vez à toa pois o horário estava errado, e uma segunda pagando estacionamento, se perdendo nas escadarias, pegando fila e pagando o mico que é ver filme em shopping.

Nota de Rodapé é um filme sensacional, a Naomi tinha razão. Cada cena parece um conto. Cada cena poderia ter sido passada sozinha, cheia de dúvidas, de questões, de amores e incompreensões. Cada rosto. O Professor Grossman, que é o próprio canalha de academia, com suas picuinhas, seus jogos de poder, emerge como um justo. Através da trama, da atuação, mas também… através de nós mesmos nos vendo levando um merecido soco na cara, que todos merecemos de vez em quando, e fazendo a coisa errada por tentar ser bonzinho, que também todos tentamos, mesmo nós que não temos prêmio no currículo.

“Vamos dar a devida proporção às coisas”, alguém sugere, contemporizando. Grossman: “Essa é a proporção das coisas.” Maravilhoso. Pois nos prêmios, nas indicações, nas publicações, nas notas e nas aprovações está mesmo algo. Questão de vida e morte, diz o pesquisador-filho. Talvez nem tanto. Mas algo importante, vital.

Que filme espetacular. Fora o tal Shlomo Bar’Aba, uma espécie de Gary Senise israelense, que nos hipnotiza de primeira.

Cada cena, um conto. Cheio de possibilidades. Cada caminhada, cada livro aberto, cada olhar feminino nessa briga, essencialmente, de homens. Cada mentira, cada amargura. Como é que vou dizer? A história era real! Era real sem artifícios, sem trazer o primeiro ministro para fazer um “cameo”. Era absolutamente real. “De acordo com o Talmud, um homem não pode invejar seus filhos nem seus alunos.”

“Curso intensivo de hebraico!”, gritou a judia na minha fileira, quando o projetor começou a passar a versão sem legenda do filme. Ela estava certa. Foi mesmo um curso intensivo de hebraico. Acho que não valia mesmo o Oscar, pois não foi filme. Foi uma aula. Todá, moré!

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2 respostas em “Nota de Rodapé: Todá, Moré!

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