Voluntariado

Quando por alguma razão vou parar no Einstein sempre fujo das voluntárias de avental rosa. Elas me dão uma péssima impressão; parabenizam as mulheres internadas na maternidade, mesmo as que estão lá fazendo penosos tratamentos para engravidar, e sem noção vão distribuindo suas gafes pelos corredores, com um sorriso de plástico.

Espero ter feito o meu trabalho melhor hoje no aeroporto, recebendo as delegações de tantos países. Peru, Estados Unidos, Israel, Argentina, Canadá. Eu não tinha muitas informações para dar, apenas bater papo enquanto esperavam os ônibus para vir à cidade, num processo complexo que envolvia mil precauções de segurança. Exagero? Não sei dizer. Depois de Munich e da Amia, todo o cuidado é pouco. Ou não. Me pergunto se não estamos criando um culto à segurança. Todos nós. Americanos com o 11/9, brasileiros com “a criminalidade”, israelenses com a cultura da prontidão e judeus juntando tudo isso com seus medos particulares.

Como se um vidro blindado nos protegesse, um detector de sapatos. Enfim, as delegações. Muitíssimos diferentes umas das outras, fiquei besta. Os israelenses sem querer papo. Ou cansados, ou arredios, não sei dizer. Os americanos muito confortáveis, muito à vontade – tienem presencia, disse um argentino – se organizando eles mesmos sem precisar de ninguém. Percebi que eu mesma fico à vontade com eles. Entendo o humor deles, entendo sua língua. Também, tantos anos, não é surpreendente. Mas é. É um segundo país que eu tenho.

Nossa, como não falar dos argentinos. Chegaram, começaram com os tambores, os gritos de guerra, um barulho realmente impressionante, todos à volta olhando. Uma energia, uma alegria! No saguão de Guarulhos, terminal 1, desembarque internacional. Dançando, cantando, as meninas também, com percussão e tudo. Metade de todos os esportistas das Macabíadas é do futebol, masculino e feminino. Metade. E na Argentina pareciam todos serem do futebol, todos ali confiantes da vitória.

O dia foi basicamente esse, das 6 da matina à 1 da tarde. Depois viemos almoçar em casa, voluntários como eu, mas de fora do meu círculo Hebraica ou de amigos. Outras cidades, outras histórias, mesmo que do mesmo país. Valeu. Amanhã vou comprar chips para os celulares da África do Sul, futebol de salão. Quero ser útil. Vão nos colocar almoçando em um restaurante separado, um jeito estranho da organização economizar uns tostões, pois seria legal comer todos juntos. Mas é isso aí. Voluntariado.

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