Estadão em 11/9

Muito bom o caderno do Estadão sobre os 10 anos de 11 de setembro. Eu não tinha lido no domingo, pois pensei: o que mais há para escrever sobre isso? Mas os textos são bons, indico aos alunos que leiam. Serenos. Algumas coisas óbvias, que sempre pensei, mas escritas assim no jornal com assinaturas chiques ficam mais reais: que os EUA deveriam trabalhar com países como o Brasil, e não resolver “each and every” conflito étnico do planeta. Gostei da análise sobre Israel, que sempre entra nesses debates, por mais que não tenha nada a ver: o governo ganhou fôlego com a luta contra o terror. Isso é verdade, ganhou. E não foi bom. Gostei do tom ponderado: os EUA ainda são os EUA, país de gente criativa e de leis que valem. O depoimento do então embaixador em Washington está muito bacana, aquela intuição brasileira: “Xii…” A análise sobre o mundo islâmico também, muito ponderada, sem arroubos multiculturalistas ou medos etnocêntricos. O Islão é o que é.

Sobre os EUA, não sei não. Acho que a crise é profunda. Por um lado, esses jovens criando incessantemente, nesses incríveis laboratórios de idéias que são as universidades americanas. Mas não acho que a Sarah Palin venha do nada. Nem CSI. Tem um público vasto que assiste, vota e come muita bobagem naquele país. O país precisa crescer para atrair imigrantes, pois o país se alimenta culturalmente desses influxos. Não acho que a crise seja fundamentalmente de emprego, de crédito, de liquidez e preços de ativos. Acho que é mais que isso. Quanto ao Brasil, ainda somos, em larga medida, o país que lemos no New York Times: bundas, helicópteros, enchentes. Para a esquerda, MST, Amazônia, favela. Claro que superficialmente viramos o país emergente – como detesto essa expressão – mas converse um pouco mais aprofundadamente com um americano, seja ele um trabalhador, um médico, um pesquisador, o que for, e sentirá seu desgosto com o Brasil ser essa coisa inclassificável que é, nem Paris nem Calcutá.

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2 respostas em “Estadão em 11/9

  1. ‎”Look closely at your enemies; it’s to them you’ll become most alike.” I vaguely recall this is an Arab saying; haven’t been able to source it.

    Acho que esse foi o maior impacto: o bin Laden conseguiu fortalecer os que querem transformar os Estados Unidos em um país mais fechado, mais paranoico.

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