Tel Aviv, dia 18

Hoje passei o dia na USP, tirei fotos e tudo. Almocei numa lanchonete, visitei a livraria e também o Museu da Diáspora, que deram outro nome sei lá por quê. Desde minha última visita acho que pipocaram alguns prédios em volta, todos muito bacanas, modernos, simples. E uma bonita sinagoga também, com dois espaços distintos, um de rezas e outro, pelo que entendi, para conferências. Esperava mais do museu, exibições sobre os novos imigrantes e coisa e tal. A exibição um pouco envelhecida, vai ver Diáspora não está mais na moda. Mas fiquei um bom tempo na árvore genealógica, e aí me deliciei. Pois o museu, você é parte do museu. É a sua história. Então descobri que pelo lado da Dona Carlota, mais precisamente de seu pai Simon Dranger, tenho 7 primos, cuja avó se chama Tcharna e cuja tataravó também se chama Tcharna. A primeira é prima irmã de minha avó Carlota (Tcharna). Os outros a guerra levou, seriam dezenas de primos, netos dos outros primos de minha avó, que ficaram na Polônia. Quem será essa Tcharna? Inteligente, sardônica, crítica, contadora de histórias? Não sei, teria que mandar vários emails. Ou será que apenas um filho sobreviveu, ela é apenas a memória de um adolescente? Meu irmão diz que o bisavô Dranger trocou cartas com um sobrinho depois da guerra, que uma família enorme desapareceu.

Gastei os tubos na lojinha do museu, comprando presentes para a Susanna e as meninas. Elas me dão uns presentes mais simples nas viagens, mas o que vou fazer? É o tamanho do meu amor. Presntes lindos. E além disso comprei uma coisa bem legal pra mim também. Depois voltei para casa, dei uns telefonemas, amanhã o irmão de um amigo de meus pais; quarta uma amiga da New School, terça uma professora que conheci no avião, e que tem lido meus contos e se divertido. Então tá bom. Se alguém se diverte já valeu! Se alguém publicar ótimo, se não publicarem também tudo bem. Só quero que riam.

Corri corri para pegar a piscina aberta, ontem só foi o suficiente para me lembrar do vício. Vi o por-do-sol, mas dei de cara com a porta. Ei, e a piscina? Hoje é Tisha BeAv. E daí? E daí que hoje fecha mais cedo, amanhã não abre. Mas você não podia ter me dito ontem, quando eu pedi o horário?, eu disse rindo. A noite pela frente. Liguei para o meu amigo do futebol, que estava por perto, comi com seus amigos. Mais histórias, mais histórias. Conto uma: falei que meus pais não eram sionistas, que minha mãe via Israel como um lugar para onde as pessoas vão quando nada mais dá certo, e meu pai dizia que negociar com israelense não era o seu prato preferido. Mas havia imagens boas também: minha mãe gostava do jeito simples de se vestir das israelenses, e meu pai se entusiasmou depois de 67. Meu amigo: “Ah, 67! Eu estava nos Estados Unidos e todos queriam falar comigo, dava prestígio. 67 foi a glória. E o resultado daquilo está aí.” Mesmo ele não podia ver no que ia dar. Depois falou do que esperavam dos trabalhadores palestinos durante os anos de fácil trânsito, e depois falou do que esperam quando Israel saiu de Gaza. É tão triste que nem vou contar. É patético, é bonito, é triste.

E aqui estou, em Ramat Gan. No ônibus um passageiro me perguntou, para saber a tarifa: Peta Tikva? Não, Ramat Gan. Ele fez cara de que não entendeu, e depois disse corretamente: Ramat Gan. Eu repeti como boa aluna, e depois expliquei em inglês que não sabia diferenciar os erres. Ah, você não fala hebraico.

Não, não falo.

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Esqueci de contar a mishigas do feriado. Bom, primeiro que tem gente que acha que deve abolir o feriado, pois é um jejum de lamentaçao pela destruição do Templo, e os judeus já voltaram a Jerusalém e só não reconstróem o templo porque não querem. O paredão, nas palavras da minha tia Guita. Alguns poucos restaurantes abrem, os que não são casher e não precisam do visto do rabino. Os que abrem levam uma multa que não chega a comprometer os negócios. Mas quem vai dar multa, se é feriado? Então propuseram que fossem guardas municipais árabes. Vimos dois guardinhas tirando fotos, eu até acenei para uma, para registrar que a lanchonete estava aberta. Talvez fossem árabes, como digo sempre não dá pra saber.

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