Tel Aviv, dia 6

Nem uma semana e já aprendi tanto! Tanto, tanto!

Ontem, dia paulistano. Manhã trabalhando num café, escrevendo para professores, organizando contatos. Tarde na “Rua Augusta”, Diezengoff. Comprei livros e dei uma sapeada numa pulseira que é a cara da Lídia. Comprei um relógio de um moço muito divertido, disse para ele: “Então você se diverte, aqui?” Ele: “Adoro o que faço.” E me vendeu o relógio, com a promessa de que eu ia telefonar e dar o meu número de passaporte, para fins de imposto. Na confiança. Aí perguntei se ele não poderia consertar o relógio do meu pai, e levei bronca: “Mas você é como a minha mulher, que perde o cadarço e compra outro sapato!” Expliquei que o problema era mais complicado, que era preciso selar o relógio pois a água sempre o danifica.

Enfim, Tel-Aviv tem esse clima meio de Hebraica. As pessoas se tratam com essa intimidade, somos da mesma patota. Onde é que o relojoeiro te dá bronca por ter comprado relógio? Ontem senti o lado doce dessa intimidade, esse estar em casa mesmo sem falar a língua. Depois o senhor do jogo me ligou e fomos comer hummus lá perto mesmo, havia dois cozinheiros da Eritréia. Refugiados. “Desses refugiados tipo operação tapete mágico?” Não, refugiados refugiados, simplesmente vem se virando da Eritréia até a fronteira, e aí deixamos entrar e vem para cá. Você não vê que são diferentes? “Não, não vejo.” Para mim, como disse, essas etnias todas se misturam, não sei quem é quem. Pergunte lá pra eles se eles sabem cozinhar, eu pedi ao meu anfitrião. A comida deles é uma maravilha.

Enfim, os moços falavam um pouco de inglês, e me indicaram um restaurante perto da rodoviária. E disseram que o plano deles era esse mesmo, abrir restaurantes eritréios (?) lá na Diezengoff. Desejei boa-sorte, do todo o coração, pois aquela comida é sensacional. Quem sabe volto lá para bater papo com eles! E o dia acabou vendo o jogo na praia, em telões enormes nos quiosques, 26 graus celsius, gostoso. O jogo em si foi chocho, não? Mas era legal ver as pessoas torcendo para esse ou aquele time, não sabia que os países que não vão pra copa também torcem, acompanham tanto. Mas em Tel-Aviv a copa é bem animada.

Enfim, vou usar o espaço de um dia sem muitos eventos para contar para vocês o grande segredo da cobertura jornalística de Israel. O que a máfia dos jornais não tem dizem de jeito nenhum. Não, não falo da imprensa de esquerda anti-semita que nega o direito à auto-defesa de Israel. Nem da imprensa judaica que ignora os abusos cometidos contra a população palestina ocupada. Nada disso. Segredo sórdido, que a clique dos correspondentes de guerra não conta e as mulheres jornalistas também sobre ele silenciam, em busca de prestígio profissional. Pois quem vai enviar toda essa gente pra cá, casa, comida e roupa lavada, se eles não cobrirem exclusivamente a dor da guerra e a injutiça da ocupação? Quem vai pagar as contas se eles começaram a dizer a verdade?

E a verdade é que os israelenses são homens muito bonitos. Essa é que é a verdade, nua e crua. Quando digo israelenses incluo todos os que vi aqui, não sei se são árabes, se são judeus, ou mesmo se tem apenas o “green card”. Digo em geral. São bonitos. Surpreendente, não? Não sei se é o sol do deserto, a comida, o exército, mas são outra coisa. Desculpem os playboys da Hebraica, mas é outra realidade. E envelhecem bem também! O motorista de ônibus tem aquela cara de quem já viveu muita coisa, não é a sua pergunta atrapalhada que vai lhe tirar do sério. Os mais jovens, com o olhar penetrante. Mesmo os mais askenazi, como eu, tem o porte diferente, esqueçam aquele termômetro na boca do Woody Allen. Não sei se criaram o novo homem da ideologia socialista e sionista. Mas deram uma boa garibada no antigo.

Se der, blogo hoje à noite, mas vou pra praia e talvez não dê.

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2 respostas em “Tel Aviv, dia 6

  1. A vida é mais saudável. Expectativa de vida 8a do mundo. Com guerra, terrorismo, e tudo. Depois que eles colocaram ar condicionado nos carros, acho que nem tanto acidente tem mais. Sedentarismo, fumo, álcool, essas coisas envelhecem.

    O jogo foi um lixo. Deu pena do Maradona, ter que perder desses timinhos aí. Bonito foi o Uruguay!

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