Tel Aviv, dia 3

E primeiro dia de férias. Acostumei com ser analfabeta e relaxei. Tem coisas que não vai dar pra fazer e pronto. Sou americana (das Américas), falo português, inglês, espanhol e francês. Cada um com sua história. Hoje fui num museu muito interessante, uma seção inteira com moedas. Aí cai a ficha que o lugar é antigo. Que aqueles personagens bíblicos existiram. Que houve os reinos deste e daquele, não vou escrever sem checar. Eretz Israel Museum. Cai a ficha também por que os estudos bíblicos são tão polêmicos. Pois se os hebreus tiveram um reino assim, isso pode justificar um território assado. Judéia, Samaria, etc. E também há escavações ao lado, as primeiras já no Estado de Israel moderno, em 1948. Mas um sol infernal, fiquei pouco.

Olhei a cidade da colina e lembrei por que não lembro nada de Tel Aviv. É que eu e meu irmão usamos a cidade de base, fizemos todo um circuito pelo país, Jerusalém, Eilat, Mar Morto, Tsfat, Haifa, Acco, Neguev. E em Tel Aviv mesmo não ficamos, fomos ao Museu da Diáspora, à Universidade de Tel Aviv e só. Engraçado como a gente muda, né? Ir pra Massada, hoje? Nem a pau. E os dias no Kibutz? Nossa, que atraso.

Depois fui ao shopping, comprar benjamin pois meu mac já estava ficando sem bateria desde quinta. Achei, fiquei tão feliz. O cara cobrou 10 shekelim. Eu paguei. Ele me deu dois, acho que era pra ter pechinchado. Mas fiquei feliz, fazer o quê? Antes tinha comido um falafel maravilhoso, nesses lugares dá pra conversar bastante. Ontem falei com um israelense askenazi que sabia tudo de futebol brasileiro, ficamos discutindo o Maradona. O Felipe tem razão, eles acompanham mesmo. Ele reclamou dos jogadores israelenses que não querem correr. Eu insinuei que o time não ia pra copa por causa do boicote árabe. Ele:

“Podíamos entrar mesmo na chave européia. Se os jogadores treinassem, com um bom técnico a gente conseguia.” A resposta me surpreendeu. Os caras realmente não são de se queixar. Se fôssemos nós já botaríamos a culpa na globalização, nos americanos, na fase da lua. Para ele, a culpa era dos israelenses mesmos, uns mimados que não se esforçam. E hoje a conversa no falafel foi com uma argentina que se lamentava dos jogos e com o vendedor de falafel que sabia espanhol por causa dos pais, do Marrocos. Só agora me dou conta: Ladino?

Comprei um mapa, o Haaretz em inglês, que vem junto com o New York Times international edition e com o Forward em inglês. Só falta a revista da hebraica e você está informadíssimo sobre o que acontece no mundo judaico internacional. Adorei o pacote. O Haaretz em papel é melhor que na internet, pois você lê economia, mercado imobiliário, essas coisas domésticas que na internet você pula, lê só a p… da flotilla. Mas o mais legal é essa parte local. Entrevista com o presidente do banco central, etc.

Também comprei um livro com um apanhado da literatura israelense contemporânea. Aí respondi, tentativamente, a pergunta do meu pai. Pois no começo começo mesmo, ainda na Europa, a literatura hebraica moderna era parecida com a em ídish, ou nas línguas locais, era feita pelas mesmas pessoas. Depois vêm os escritores nacionalistas, fazendo uma literatura heróica e rejeitando a herança judaica. (Acho que o por que não Paris? está dirigido a esses caras, que rejeitavam a rica cultura da diáspora em nome de algo mais simples, mais middle-eastern.) Nos anos 60, uma literatura que resgata os valores – e as questões judaicas tradicionais, quer dizer, tradicionais pra mim. Questões existenciais, o deslocamento no mundo, etc. Amós Oz é dessa geração, mas tem uma porção. O mercado editorial é enorme.

Então vou ter o que ler!

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