Tel Aviv, dia 2

Arguentina 0 Guermania 3, e depois 4, disse o locutor. E falou algo sobre a Europa estar ganhando dos latino-americanos. Fiquei triste mesmo, acho que torci mais para a Arguentina do que pro Brasil do Dunga. Hoje não tenho muito para contar. Dia curto, pois acordei tarde ainda com fuso errado e pelo cansaço do semestre, trabalhos dos alunos – bons apesar da greve (ou por causa da, aceito humildemente que talvez alguns alunos trabalhem melhor sem as muletas das aulas, que dão a impressão de trabalho intelectual muitas vezes sem sê-lo) – e artigo do Krugman, que disse o Serguinho saiu bom.

Andei pela cidade. Lembrando da minha mãe também, que disse para nunca deixar ninguém fazer massagem em você, pois ou você não tem nada e cria um problema, ou pioram o que já tem. Bem, minha excelente fisioterapeuta me torceu o pé, e dói quando anda. Quem sabe ela não me livrou de anos de artrose, com essa terapêutica torcida? Mas por ora dói.

Dizem que Israel é outro país, que é Primeiro Mundo. Encontrei um casal de uruguaios que me repetiu o mantra. Mas não é tão aparente assim. A cidade tem aquele jeito meio desleixado de cidade de praia, tipo Santos. De vez em quando um prédio se levanta do nada, é verdade, uma Berrini. Mas o Brasil também cresceu muito, por isso acho que não me espanto. Tem cocô de cachorro na rua, tem alguns pedintes (gente meio destruída, é verdade, acho que precisa de um esforço aqui para cair na pobreza). Tem aqueles predinhos de que me lembrava, de poucos andares, com varandas, muito mal cuidados. Perto da orla isso. De primeiro mundo: os carros param para você. E, não sei explicar, param para VOCÊ. Não é como nos Estados Unidos, em que param para o advogado que vai lhes destruir a vida caso não parem. Nem como no Brasil, onde avançam em VOCÊ. Aqui param de um modo pessoal, olha lá um ser humano como eu atravessando a rua.

Encontrei a Vila Madalena daqui. Se chama Neve Tsedek. Neve, Vila, Tsedek, Madalena. Vila Madalena. O primeiro bairro moderno de Tel-Aviv, do século XIX, judeus vindos do Norte da África, confira essa info. Lojinhas, restaurantes informais, jóias artesanais, sorvetes, essas coisas. Muito legal. Árvores grandes parecendo os nossos ficus. Perto uma antiga estação de trem, com lojinhas, iguais às do Brasil. Diferença: uma loja chamada algo como parque da inteligência, com aqueles brinquedos de desafios, cubos mágicos, etc., está super cheia. No mais podia ser Paraty.

A língua faz uma falta enorme. Tudo está em hebraico, me dou conta do quanto estamos todo o tempo lendo, o quanto faz parte do dia a dia, mesmo sem grandes leituras. Quando ouço português vou lá conversar, é até comum. Professoras do Bialik em viagem de estudos. O pessoal que mora aqui no apartamento nunca vejo. Li no guia que os jovens curtem adoidado, grandes noitadas. Deve ser por isso.

Mas que bom, mesmo sem falar a língua. Que bom comer uma salada em Neve Madalena, ou o kebab de ontem. Um ano e meio atrás eu estava comendo no refeitório da escola, nos EUA. A neve me olhando de fora. A comida sem gosto. Só se salvavam os russos. Aqui há os russos também, há os etíopes que me dão uma vontade enorme de conhecer. Quem são? O que fazem? Estou com vontade de descobrir.

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4 respostas em “Tel Aviv, dia 2

  1. fui checar a info. de fato, neve tzedek é do final do seculo XIX, entao nao pode ser nem moderna, já que o modernismo só começou no secúlo XX, nem de tel-aviv, que só foi fundada em 1909, e aos poucos incorporou neve tzedek.

    mas preste atencao nos predinhos de tel-aviv: esses sim modernos, de forte inspiracao de bauhaus. Tel Aviv’s White City, designated a UNESCO World Heritage Site in 2003, comprises the world’s largest concentration of Modernist-style buildings.

    taase chaim,
    sgold

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