Yom Haatzmaut – o Dia da Independência

Meio perturbador o editorial do Haaretz sobre os 62 anos do país. Mas não me tocou tanto assim, pois será? Será que há tanto isolamento, tanta falta de direção? O jornal é sempre tão crítico mesmo… O que me perturbou mesmo foi a cerimônia ontem na CIP. Estava em busca de uma boa comemoração de Yom Haatzmaut. Estou aprendendo hebraico, quero ir para Israel em julho, enfim, queria reconectar. Tudo bem, a CIP não é minha casa, eles têm o jeito deles, vai ver algo me escapou. Mas no site dizia que essa seria a comemoração oficial, então era para eu ter compreendido algo.

Gostamos de discurso, de falas bonitas. Gostamos de gente que escreve bem, que dá sentido às coisas. Que inspira, que comove. Então quando você escuta um punhado de judeus e ninguém te diz nada que te toque, algo está errado. Pois é nosso metier, em parte, falar. Questionar, explicar, retomar, emocionar. E ninguém ter feito isso?

Na verdade, era apenas um shabatzinho. Não era mesmo uma celebração cívica. Estava lá um diplomata israelense, pelo que entendi o futuro cônsul em S. Paulo? Tão eloquente no português quanto no espanhol. Teria me tocado mais se tivesse falado, em hebraico, que ainda não compreendo. Nossa comunidade é pequena e talvez irrelevante no jogo político global. Mas não tinha ninguém melhor pra mandar? Afinal, o Brasil não é tão irrelevante assim, né?

Ou talvez não haja o que dizer. Talvez o Haaretz esteja certo, e por isso a ausência de discurso. Mas é desconcertante. O rabino se superou. Disse que se o Holocausto foi uma mutilação para o povo judeu – o que já é uma enorme estupidez, pois cada vida que se perdeu foi uma vida em si, não foi apenas parte de um corpo. Mas arrematou dizendo que Israel é uma prótese. Ai, os macacos da minha avó. Um país inteiro, uma prótese. Quase cancelei a reserva na El Al que ainda não fiz. Vou ligar para a companhia e dizer que andam fazendo propaganda negativa do seu produto. Será que o rabino está recebendo patrocínio da Air Liban?

Estavam lá o Natalini, um diplomata alemão, um religioso cristão. Sei lá, queria ter escutado eles. O que teriam a dizer, sobre os 62 anos do Estado de Israel? Cara, especialmente o alemão. O que significa, 62 anos do Estado de Israel? Deve ter muitos significados. Um tremendo alívio, hein? Estava lá o presidente de uma organização guarda-chuva da comunidade judaica brasileira, algo que temos nós mas que os americanos não têm, diga-se de passagem. O que ele falou de significativo? Perguntou de meu irmão. Esses médicos brasileiros são realmente maravilhosos. Atendem milhares de pessoas, cada um como indivíduo único. Muito bacana. Como líder comunitário não disse nada.

Queria ter eu algum discurso bonito. Não tenho, não sei como anda Israel, não tenho reflexão alguma. Para onde vai? Quais os principais desafios? Não sei xongas. A única coisa que fiz foi chegar no Rabino Sobel, um pouco pesado, escanteado, ao fim do Shabat, e dizer: “Ei, senti falta de seus discursos. De alguém que falasse alguma coisa, pudesse ‘give some meaning’ para essa data de hoje.” Ele me agradeceu muito. Disse que eu o fiz feliz. Que ele também sentia falta. Pois, afinal, é essa a sua profissão, não? Give meaning. Falar, explicar, virar do avesso, costurar. Então fiz minha parte, muitíssimo modesta, de formiga mesmo, nesse Yom Haatzmaut, de cuja celebração eu me senti privada.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s