A professora analfabeta

Ani morá ve ani talmidá po.

Essa é a primeira frase que construí em hebraico sozinha. E, caramba, que experiência. Ser professora mas, em outra situação, ser aluna novamente. De repente, ser analfabeta. Ver um monte de rabiscos e perguntar para a professora: mas aquele tracinho ali é vogal ou é só um tracinho na lousa? De repente, as letras serem apenas rabiscos sem significado, e irem ganhando sentido aos poucos, com a ajuda do colega evangélico mais aplicado, que como trabalha no turno da noite pode frequentar as aulas na sexta de manhã.

Ser analfabeta.

Um exercício de humildade, que sugiro a todos. Aprendam japonês, árabe, hebraico, russo. Voltem a redescobrir o poder dos rabiscos que se organizam em letras e palavras.

O método da professora não sei se é o meu favorito. Mas ani talmidá po, e então é o método dela que eu devo seguir. E ela é israelense, a língua é dela. Alhures ani morá. Além disso gosto dela. Gosto de seu sotaque, de seu jeito de falar, do modo como reclama quando não fazemos lição.

Hoje montei outra frase, não dessas que a gente repete do livro, dessas que a gente junta palavras e cria, como criança que aprende a falar. Ani dodá shel Hannah ve shel Rosa. E me emocionei profundamente. Ani dodá. Com o fato de ser tia, com o fato de estar falando um língua meio sagrada, não sei. Com o fato de estar aprendendo.

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