Os mitos – pra quê?

Ter ido na reunião de 20 anos de formada me fez refletir sobre algo que nem teria tanto a ver: sobre mitos.

Fui até hoje a quatro dessas reuniões: uma do Bandeirantes, que foi legal pois revi um monte de gente com quem estudei na 821, 147, 246 e 347. Iam formando bolos de uma turma, que depois se dispersavam para formar novos bolos, foram quatro reuniões em uma.

As outras três da FEA, de 10, 15 e agora 20 anos de formados. Foram todas iguais: super agradáveis, contando antigas piadas e algumas novas. Alguns nomes lembrados, outros esquecidos. Todos bem, e felizes de estarem ali. Com promessas de se ver mais.

Não me aprofundei em estatística depois do curso do Pastore, mas não precisa ser nenhum gênio para suspeitar que quem não está na melhor fase da vida não aparece; quem se deu muito bem também não se digna a comparecer. Então vêm os felizes. E por isso o clima é bom.

“Puxa, somos uma turma”, eu disse a certa altura. “Sim, mas não vamos imaginar um senso de grupo além do que de fato existe”, me disse um colega de Jundiaí, com um senso crítico insuspeito. Aliás, tantos sucessos insuspeitos: o pessoal fala na TV, preside departamentos importantes, dá aulas em faculdades de elite e tem editoras.

Meus colegas da faculdade, com quem dormi em colchonetes no chão, nos ENECOS, os Encontros Estudantes para onde iam os alunos de economia do país todo.

Todos com a mesma cara, um ou dois mais gordinhos. Trocando fotos e endereços. Perguntei para um: “Você lembra que torci o pé na volta de Cuiabá, que durou 24 horas?” Lembrava. Outro lembrava de um amigo meu de Pelotas, o Reginaldo, como é que pode?

Eu lembrava que o Totó lia apenas as páginas pares dos textos indicados. Eu queria ver todos. O Manga vem? Aquela é a Claudinha? Ô Decão, então a gente se vê daqui a 5 anos, falei ácida para um grande amigo, mas meio sumido.

Eu também lembrava do pessoal que tinha feito a nossa recepção de calouros – o Demo continua fazendo discotecagem. O Português contou uma história escabrosa do Aldo Rebelo, largou o Movimento Estudantil ali no primeiro ano. Puxa, que sorte, eu disse.

E do boi lá em Cuiabá? Mataram o boi, assaram e serviram ali, à vista de todos, na fazenda. Quem estava lá lembrou, claro, não é cena que a gente esqueça.

Aí cheguei em casa como se tivesse tomado uma overdose de alguma coisa. E acordei com essa idéia na cabeça, que qualquer hora repasso aos alunos:

Pra quê mitos? Pra que líderes, idéias, partidos e missões se são aquelas pessoas lá, com apelidos gozados – Manga, Totó, Lili Baixaria, Penosa – que vão logo mais estar tocando o barco? Para que se espelhar em ideais além de nosso alcance, que quando por sorte alcançamos nem são tão ideais assim?

Deve haver alguma função, a dos mitos. Nos impulsionam, nos mandam para longe. Mas também nos prendem, os mitos. Por não serem muito, assim, como o Manga.

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