Associação Brasileira “A HEBRAICA” de São Paulo

Assim sem muito porquê soltei essa na última sessão de análise: “Pode soar piegas, mas gosto daquele clube como se fosse a minha casa.”

E depois fiquei uns bons minutos em silêncio, lembrando do clube nos anos 70 e depois nos anos 80, dos amigos da natação, dos coleguinhas da escola de esporte que de vez em quando trombo por aí, nessa grande taba paulistana. Dos cantos escondidos do clube. Falei de quem encontrei no dia, o almoço com a Rita, irmã da Terezinha, que cuidou das minhas sobrinhas e hoje é babá das filhas de uma amiga. Coisas de aldeia mesmo.

Pensei no dia em que corri atrás de um homem, dia raro. Eu conversava com o Gerson e ele nos esperava. Depois perdeu a paciência. Eu terminei a conversa rápido e corri. Era noite, estávamos na beira da piscina olímpica. Quando chego no clube e viro à esquerda para o vestiário ainda me vejo lá, correndo, sem pensar.

E tem os velhinhos que nos adoram, nos desejam feliz ano novo em ídish, e depois, sabe-se lá por que, de uma hora para outra param de vir ao clube.

Isso não falei, mas me veio uma certeza incomprovável de que se todos tivessem uma Hebraica não haveria crime nem pobreza em São Paulo. Um lugar para namorar, ir ao cinema, deixar os filhos na piscina sabendo que o salva-vidas vai pegá-los.

É que tenho ido muito ao clube. No domingo, por exemplo, votei. Pela primeira vez, fui lá e votei. Num sujeito que não foi macho o suficiente para me dizer que come porco – essa era a minha condição para participar do escrutínio – mas ao menos disse que era de esquerda e coisa e tal e deixou subentendido que ia buscar proteger o clube dessa onda religiosa tão prejudicial aos nossos valores judaicos.

No sábado, havia competido pela natação, num campeonato amistoso. Mas eu não estava amistosa. Queria ganhar. Queria mostrar pro Pinheiros, antigo rival, que eles podem ganhar suas medalhinhas olímpicas mas se a coisa for ali na raça, a gente é melhor. Ah, eles se acovardaram, não quiseram passar o vexame, vieram poucos. E a gente ganhou. Eu levei três medalhas, suadas, conquistadas.

Torci para a Debi, como a gente fazia nos anos 80. Conheci um campeão macabeu. Ganhei uma touca, que nunca tive, uma touca da Hebraica. Taí uma camisa que eu visto, a da Hebraica.

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