Filha da Rosa

Hoje pensei na minha mãe, que foi professora, vocês sabem. Inclusive às vezes digo aos alunos que seu nome era Rosa e se sentiria honrada em ser lembrada por jovens tão dinâmicos como eles, ainda mais no contexto da docência de sua filha.

No começo do ano fizemos uma homenagem a ela e chamamos os colegas do Mackenzie. O Orlando estava nostálgico da época em que dava aulas com minha mãe. Sorumbático, diria ela. Ou meditabundo, minha mãe era cheia de expressões. “Mas as aulas não tem animam, Orlando?”, eu perguntei. “Ah, as aulas, eu não sou como a Rosa. Os alunos seguravam a Rosa depois da aula, a aula não era só uma aula.”

É verdade, minha mãe chegava sempre tarde para o jantar, “Os alunos me seguraram.” Não sei o que tanto tinham para perguntar para a professora de estatística, entre todos os mestres, mas que seguravam seguravam.

Se eu disser que tenho 15% da simpatia de minha mãe é um exagero. Sou chata, brava, crítica e pró-americana. Outro dia perdi a calma e abandonei-os por 10 minutos, batendo a porta, porque estava de regime e um aluno sussurou algo.

Mas eles me seguram depois da aula.

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